Ao considerar as solicitações profissionais, importa não
confundir riscos psicossociais como a carga de trabalho ex-
cessiva com as condições, embora estimulantes e por vezes
desafiantes, de um ambiente de trabalho construtivo em que
os trabalhadores são bem preparados e motivados para dar
o seu melhor. Um ambiente psicossocial positivo promove o
bom desempenho e o desenvolvimento pessoal, bem como
o bem-estar mental e físico dos trabalhadores. Os riscos psi-
cossociais não devem ser confundidos com um ambiente
de trabalho saudável, estimulante, mas de apoio, em que os
trabalhadores são altamente motivados e encorajados a dar
o melhor de si.
Os trabalhadores sentem stress quando as exigências do seu
trabalho são excessivas, superando a sua capacidade de lhes
fazer face. Além de problemas de saúde mental, os trabalha-
dores afectados por stress prolongado podem acabar por de-
senvolver graves problemas de saúde física, como doenças
cardiovasculares ou lesões músculo-esqueléticas.
Para a organização, os efeitos negativos incluem um fraco
desempenho geral da empresa, aumento do absentismo,
"presenteísmo" (trabalhadores que se apresentam ao traba-
lho doentes e incapazes de funcionar eficazmente) e subida
das taxas de acidentes e lesões. Os períodos de absentismo
tendem a ser mais longos do que os decorrentes de outras
causas e o stress relacionado com o trabalho pode contribuir
para um aumento da taxa de reforma antecipada. Os custos
estimados para as empresas e para a sociedade são significa-
tivos e chegam aos milhares de milhões de dollars.
ENTÃO DEVEMOS PREVENIR OU REMEDIAR?
Colocar a questão assim…. Porque é assim que tem sido colo-
cada nos últimos tempos, no entanto, será a Prevenção algo
de contingente? Algo que pode, ou não, ser considerado
como direito dependendo das circunstâncias financeiras das
sociedades e das empresas? A Prevenção e Segurança no
local de trabalho é uma despesa ou um investimento? Se for
uma mera despesa – um luxo – então, o retorno ou não existe
ou, é diminuto. Será este o caso? Sabemos que não.
O que sabemos é que todos os anos morrem cerca de 6 mil
pessoas na UE em consequência de acidentes de trabalho
para além de quase cerca 160 mil de doença profissional.
Sabemos também que as instituições se encontram mais
atentas a estas questões - nomeadamente a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) - e preocupadas com os
efeitos da crise na qualidade do trabalho, tendo em conta
a tendência de retracção das empresas, particularmente as
pequenas e microempresas, que leva à eventual diminuição
dos investimentos em matéria de segurança e saúde. Neces-
sariamente que não é muito difícil retirar a ilação que esta
tendência poderá levar a mais acidentes e doenças profissio-
nais com o aumento dos custos económicos, sociais e huma-
nos que se lhes estão inerentes.
Também há verdades que não perdem actualidade.
Mais vale prevenir que remediar.
Se o bom senso popular já o recomendava na Grécia antiga,
como podemos nós, hoje, equacionar uma diminuição
dos padrões de segurança e de prevenção em nome de
imperativos financeiros, em nome da competitividade e em
nome da crise que sobre nós se abateu?
A Prevenção e a Segurança são acima de tudo um investi-
mento em pessoas. Quando falamos de Prevenção e Segu-
rança no Trabalho falamos de direitos Humanos. Os pro-
gressos civilizacionais da UE assentaram, precisamente, na
sua capacidade de construir uma sociedade-modelo, desen-
volvida sobre valores humanistas. Estes são valores que urge
preservar e aprofundar a par da coesão social sobretudo,
quando muitos dos sinais vão em sentido contrário.
Com efeito, todos os dias somos confrontados com notícias
que aumentam as pressões sobre o mundo do trabalho:
× aumento do desemprego (com especial incidência entre
os mais jovens);
× despedimentos; salários em atraso;
× alteração de legislação que na prática introduz uma maior
incerteza;
× alteração das relações laborais.
Todo um conjunto de notícias cuja base de fundamentação
é a crise económica ou, a estratégia para a ultrapassar e que
têm um forte impacto nos trabalhadores.
O maior impacto da crise sente-se naturalmente, nos tra-
magazine risco zero