magazine RISCO ZERO n4 - page 67

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Aliás, muitos caracterizam a Indústria de Construção Civil
como uma “indústria stressante” para se trabalhar, devido a
sua caracterização e ao próprio processo de trabalho. Note-
se por exemplo que estes trabalhadores estão expostos a
condições físicas adversas na maior parte das vezes: o ba-
rulho, o calor, a vibração, o espaço, o esforço de produção
manual, etc.
Sabemos que as causas do stress ocupacional são comple-
xas e variadas, e possuem um efeito cumulativo. São resul-
tantes de factores sociais, com o indivíduo em si, com a na-
tureza e a organização do trabalho.
No sector referenciado existe uma rotina que determina as-
pectos “stressantes” entre os demais sectores de actividade.
A Indústria da Construção possui características próprias
que favorece uma diversidade de riscos, que podem ser
maiores ou menores, em virtude das condições de trabalho
e dos aspectos específicos que apresenta cada obra.
Segundo Smallwood e Ehrlich (1999) as causas do stress,
ou riscos psicossociais na construção podem ser classifi-
cadas de acordo com nove categorias:
1.
Ambiente físico do trabalho: local de trabalho temporá-
rio caracterizado por controle de temperatura inadequado;
ventilação inadequada; baixos níveis de ventilação e de ilu-
minação; falta de privacidade; barulho excessivo; lama/pó e
sujeira no local;
2.
A organização em si: pessoal inadequado; baixa coorde-
nação entre subcontratantes; canais inapropriados de co-
municação e formação insuficiente para os indivíduos;
3.
A gestão da organização: horas extras; ênfase excessiva
em competitividade e turnos de trabalho;
4.
A função individual dentro da organização: ambiguidade
e conflito de função; sobrecarga e suporte de gestão inade-
quado;
5.
Relações dentro da organização: conflitos interpessoais,
relacionamentos fracos ou escassos com os superiores; gru-
pos iguais, subordinados e falta de retorno;
6.
Desenvolvimento da carreira: percepção da insegurança
no trabalho e remuneração inadequada;
7.
Relacionamentos pessoais e sociais: oportunidades ina-
dequadas para o contacto social;
8.
Equipamento: equipamento não confiável e inadequado
que é incapaz de satisfazer as demandas de trabalho ou que
frequentemente avaria, contribuem respectivamente em di-
recção as práticas de trabalho inseguras;
9.
As ansiedades do indivíduo: fraca gestão do tempo pes-
soal e medo ou preocupação sobre a segurança no local
de trabalho. A implementação de Sistemas de Gestão de
FACTOS E NÚMEROS SOBRE OS RISCOS
PSICOSSOCIAIS E DE STRESS
O stress relacionado com o trabalho é o segundo pro-
blema de saúde mais frequentemente referido na Euro-
pa — após as perturbações músculo-esqueléticas. Cerca
de metade dos trabalhadores considera-os comuns no
seu local de trabalho.
50–60% de todos os dias de trabalho perdidos podem
ser imputados ao stress relacionado com o trabalho.
Numa recente sondagem europeia conduzida pela
EU-OSHA, as causas mais comuns de stress relacio-
nado com o trabalho referidas foram a reorganiza-
ção do trabalho ou a insegurança laboral (72% dos
inquiridos), os horários de trabalho alargados ou o
volume de trabalho excessivo (66%), bem como a in-
timidação (bullying) ou o assédio no trabalho (59%).
A mesma sondagemmostrou que cerca de 4 em cada
10 trabalhadores pensa que o stress não é devida-
mente abordado no seu local de trabalho.
Habitualmente, as ausências relacionadas com o
stress tendem a ser mais prolongadas do que as que
possuem outras causas.
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