magazine RISCO ZERO n5 - page 24

magazine risco zero
Dra. Sofia José
UM OLHAR “ QUASE POÉTICO”
SOBRE ALGUNS DOS
POSTOS
DE SAÚDE
NOS LOCAIS DE
TRABALHO
Anos após um certo percurso profissional : ao serviço domi-
ciliário, a nível dos cuidados de saúde primários, no âmbito
da Medicina Geral e Familiar e como especialista em Anes-
tesiologia, foi-me dado a oportunidade de adquirir uma certa
experiência em outras vertentes da Medicina, nomeadamente
no âmbito da Medicina no Trabalho, o que me permitiu sentir
a apetência de ir mais além, ao encontro da realidade e das
necessidades de cuidados de saúde de um povo, do meu povo,
desse povo disperso por toda esta ANGOLA.
Tendo surgido a oportunidade de colaborar por intermédio de
uma Empresa a “NWA”, no âmbito da saúde ocupacional, ve-
nho por este meio tecer algumas curiosidades e observações
sobre o que tenho constatado e aprendido neste contexto.
Antes de mais, quero louvar a iniciativa da implementação de
tal cooperação, tendo em conta a carência de profissionais de
saúde necessários para colmatar todas as necessidades.
É real a insuficiência de recursos a vários níveis seja no sector
Público, que no sector Privado, considerando a inacessibilida-
de do ponto de vista económico, o que talvez em parte predis-
põe ao aumento de atividades por parte de certos elementos
autointitulados de profissionais, cujas práticas e políticas de
saúde colocam em risco a saúde de quem faz uso das suas prá-
ticas.
É certo que considerando a vasta área geográfica e a coexistên-
cia de certos hábitos ancestrais, em que o recurso a certos ditos
ARTIGO DE OPINIÃO
terapeutas e/ou curiosos são responsáveis por muitos danos,
muitos dos quais irreparáveis em pessoas que a eles recorrem
em desespero de causa e que esses falsos profissionais, visto
serem desprovidos da sabedoria inerente e da humildade sufi-
ciente para os reencaminhar para os locais onde seja praticada
uma medicina digna e competente.
Limitar-me-ei aos profissionais dignos dessa designação, os
quais vão sendo cada vez mais em maior número, mas que de
momento ainda são insuficientes para as necessidades e que
por vezes por amor à profissão fazem verdadeiras acrobacias
na tentativa de conciliar as várias atividades nos locais onde
exercitam, conseguindo o altruísmo de dedicar algum do seu
precioso tempo, na colaboração com Empresas credenciadas,
ou em vias de, legalmente reconhecidas pelas entidades com-
petentes e cuja atuação se estende a quase totalidade em zo-
nas e locais por vezes remotos, onde conseguem instalar mate-
rial físico e profissionais qualificados .
Esses profissionais dispõem:
- do controlo e apoio constantes da sede “casa mãe“
- de protocolos de atuação, constantemente atualizados
- de campanhas de formação , sempre que necessário
Para que desse modo possam exercitar as suas funções, com
toda a segurança exigida.
Considerando a carência ou ausência de recursos e a extensão
das zonas em que seria benéfica , os cuidados mesmo básicos a
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