magazine RISCO ZERO n6 - page 12

seu programa de pós-graduação, o Mestrado Stricto Sensu
“Trabalho, Saúde e Ambiente” -
.
br/pos-graduacao/inicio.
A Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST) é uma
área que se reveste de constantes desafios, uma vez que
implica mudança de comportamentos e atitudes.
De que modo a FUNDACENTRO tem ultrapassado esses
desafios?
O sistema económico vigente não foi concebido incluindo
a segurança e a saúde dos trabalhadores como aspectos
a serem considerados. A busca de produtividade cada
vez maior, com um aprofundamento da diminuição do
contingente de trabalhadores e intensificação do trabalho,
tem sido a fórmula geral das empresas. Estudos aliados a
mobilizações de trabalhadores têm conseguido demonstrar
o processo de dilapidação do nosso meio ambiente e da
saúde dos trabalhadores por parte de grandes corporações
dos mais diferentes ramos económicos. Também, processos
judiciais colectivos têm ajudado a demonstrar a desconexão
entre os lucros dessas empresas e a valorização e o cuidado
com a saúde dos trabalhadores. Catástrofes ambientais
e acidentes graves recentes, fraudes em mecanismos de
protecção por parte de grandes corporações abalam mais
ainda a confiança que se poderia ter na capacidade e na
seriedade de grupos económicos de se preocupareme agirem
em prol do bem comum, como o são as questões de meio
ambiente e saúde dos trabalhadores. Lembremos que essas
corporações têm certificados de qualidade e de sistema de
gestão, que dão a ilusão de que a situação está sob controlo e
a realidade tem mostrado que não; que o poder público deve
regular, fiscalizar, punir. Acidentes e doenças não só oneram
o Estado como impingem sofrimento às vítimas e a seus
familiares. Não acredito que acções isoladas e fragmentadas,
ou advindas de uma instituição sejam capazes de fazer frente
a um sistema poderoso, que privilegia a sua manutenção e
não privilegia a vida e a saúde das pessoas.
A contribuição da Fundacentro, em minha opinião, é
ajudar os diversos actores sociais a compreenderem que a
sustentabilidade de uma sociedade depende da valorização
do meio ambiente, incluindo o do trabalho, e do trabalhador.
Trata-se de uma missão muito difícil, pois não temos vivido no
mundo actual uma situação que propicie facilmente a com-
preensão desses aspectos. A tendência natural da sociedade
é achar que em momentos de crise os trabalhadores devem
aceitar quaisquer condições de trabalho. Não compartilho
dessa ideia, pois as crises devem servir para que possamos
debater os modelos económicos e o papel do trabalho e do
trabalhador. O que significa para a sustentabilidade de uma
sociedade, a existência de milhares de trabalhadores aciden-
tados ou doentes?
Os serviços de SHST visam a identificação de factores de
riscos a que o trabalhador está exposto no seu local de
trabalho. Enquanto médica investigadora, como enquadra
os riscos psicossociais em contexto laboral?
Há contextos de trabalho nos quais é relativamente fácil
observar potenciais agentes danosos à saúde. A existência
de fontes de calor ou frio excessivo, de fumos metálicos, de
agentes corrosivos ou de poeiras de diversas naturezas pode
ser detectada e medida. Essas situações causam um descon-
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