magazine RISCO ZERO n7 - page 54

magazine risco zero
ARTIGO INFORMATIVO
CSST
CONCEITOS EM SAÚDE OCUPACIONAL
Actualmente, os termos de saúde ocupacional e medicina do
trabalho são bastante utilizados. No entanto, ainda que ambas
estejam relacionadas com a preservação da saúde do trabalha-
dor no local de trabalho, existem algumas diferenças.
O campo de actuação e objectivo da medicina do trabalho fo-
ram definidos pela primeira vez em 1950 pela Organização In-
ternacional do Trabalho (OIT) e pela Organização Mundial de
Saúde (OMS), em que a medicina do trabalho é estabelecida
como uma actividade médica que deve promover e manter o
mais elevado nível de bem-estar físico, mental e social dos tra-
balhadores e proteger de qualquer dano à sua saúde que possa
resultar das condições de trabalho e da exposição aos riscos
inerentes à sua actividade laboral. Em suma, a medicina do tra-
balho procurar adaptar o trabalho ao homem e cada homem à
sua actividade.
No que diz respeito à saúde ocupacional, em 1986 a Organiza-
ção Panamericana da Saúde definiu a saúde ocupacional como
sendo o resultado de uma actividade multidisciplinar que visa
a protecção e promoção da saúde do trabalhador mediante me-
didas preventivas e de controlo das doenças profissionais e aci-
dentes de trabalho, bem como a eliminação dos factores e con-
dições que possam colocar em perigo a saúde do trabalhador.
Ainda como complemento, foi estabelecido que o desenvol-
vimento da saúde ocupacional deve envolver a participação e
cooperação dos trabalhadores, empregadores, departamentos
governamentais, instituições e associações de medicina de tra-
balho. Para planear e colocar em prática esta cooperação inter-
disciplinar é necessária a constituição de uma equipa, na qual é
englobado o médico do trabalho.
Deste modo, a diferença entre elas assenta, principalmente, que
a medicina do trabalho é um ramo de medicina e que para se
formar nela é preciso ser médico. Relativamente à saúde ocu-
pacional foi entendida, de modo arbitrário, como uma profis-
são, quando na realidade é uma actividade multidisciplinar
que pode ser realizada por médicos, enfermeiros, engenheiros,
psicólogos, técnicos de segurança higienistas e outros profis-
sionais.
MEDICINA DO TRABALHO
O seu campo de estudo está centrado a nível individual ou seja,
no trabalhador isolado do grupo sócio-profissional com o qual
partilha as tarefas e o ambiente de trabalho.
O seu interesse está focado na relação causa-efeito, uma vez
que, apenas quando consegue estabelecer esta conexão é que
reconhece os problemas de saúde no trabalhador.
Os serviços que oferecem são direccionados ao tratamento ou
reparação do dano, uma vez que a medicina do trabalho atende
só factos consumados: vítimas de acidentes de trabalho ou de
doenças do trabalho.
Move-se num ambiente restrito no qual os elementos históri-
cos, económicos, políticos e sociais relativos ao trabalhador são
considerados como uma simples questão.
SAÚDE OCUPACIONAL
Os problemas de saúde devem ser estudados a nível colectivo,
centrando-se no grupo sócio-profissional (grupo de exposição
homogénea), que partilha o mesmo ambiente laboral e a mes-
ma exposição aos riscos.
A relação causa-efeito é uma pequena parte da complexidade
que representa o problema da saúde do trabalhador, por isso
planeia o estudo numa perspectiva holística.
O seu enfoque é essencialmente preventivo ou seja, as suas me-
didas ou acções estão dirigidas para evitar acidentes ou doen-
ças profissionais, através da melhoria dos processos de trabalho.
Analisa os problemas de saúde numa ampla perspectiva que
inclui o contexto em que estão inseridos os trabalhadores e não
só estuda as condições e ambiente de trabalho.
Quadro 1 – Principais diferenças entre Medicina do Trabalho e Saúde Ocupacional
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