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EXPOSIÇÃO A ALTAS TEMPERATURAS
A subida da temperatura acima da zona de conforto começa
a provocar problemas, primeiro de natureza subjectiva, depois
mais de natureza fisiológica até atingir o limite físico de tole-
rância.
Quando o calor cedido pelo organismo ao ambiente, é inferior
ao calor recebido ou produzido pelo metabolismo total (meta-
bolismo basal + metabolismo de trabalho), o organismo tende
a aumentar sua temperatura, conduzindo a uma hipertermia
(aumento da temperatura do corpo), colocando em marcha
outros mecanismos de modo a compensar esse efeito, entre
os quais citamos:
× Vaso-dilatação sanguínea: aumento das trocas de calor;
× Activação (abertura) das glândulas sudoríparas: aumento do
intercâmbio de calor por mudança de fase da água contida no
suor, estado líquido para estado gasoso;
× Aumento da circulação sanguínea periférica. Pode chegar
a 2,6 litro/ min/ m2. Nestas circunstâncias, a vasodilatação é
entendida como a melhor resposta do organismo para rapida-
mente escoar calor, através do aumento da superfície lateral
dos vasos sanguíneos.
× Troca electrolítica de "suor". A perda de NaCl pode chegar
a 15 g/ litro.
A subida de temperatura acima da zona de conforto, stress
térmico devido ao calor, começa a provocar problemas de na-
tureza:
× psicológicas - incomodo, mal estar;
× psicofisiológicas - aumento da sobrecarga do coração e apa-
relho circulatório;
× patologias - agravamento de doenças.
Existe também uma classificação racional de transtornos cau-
sados a altos níveis de calor ambiental. As consequências da
hipertermia poderão ser:
× Transtornos psiconeuróticos - fadiga térmica;
× Transtornos sistemáticos;
× Síncope de calor, colapso de calor;
× Esgotamento por calor: Deficiência circulatória, Desidrata-
ção, Dessalinização, Anidrosis;
× Golpe de calor;
× Transtornos na pele do tipo: erupção, anidrose (deficiência
de suor), deficiência congénita das glândulas sudoríparas,
queimaduras solares (devido às radiações ultravioletas), etc...
CONTROLO DO AMBIENTE TÉRMICO QUENTE
O Ambiente Térmico de Trabalho é controlado através da
aplicação de medidas técnicas, de práticas no âmbito da orga-
nização do trabalho e da utilização de protecção colectiva ou
individual. Isto é, de medidas:
× Estruturais, construtivas ou de carácter definitivo;
× Administrativas, organizacionais ou de carácter provisório;
× Protecção.
Quando possível, deverão reservar-se os trabalhos em am-
bientes mais quentes para os últimos dias da semana, pois
provocam desadaptação que poderá ser reparada com o re-
pouso do fim-de-semana.
O limite da perda por sudação é de 4 litros nas 8 horas de
trabalho, ou seja, meio litro por hora, devendo a reposição ser
feita regularmente ao longo do dia de trabalho, com bebidas
frescas (bebidas cuja temperatura varia entre 12 a 15 ºC) ou
mornas (chá ou café muito fracos), não sendo permitidas as
bebidas alcoólicas e limitando a ingestão de sumos de frutos
e leite a 1 litro por cada dia de trabalho.
As refeições destes trabalhadores devem ser ligeiras e pobres
em lípidos. Devem-se afastar dos postos de trabalho em que
existe exposição excessiva ao calor, os indivíduos com afec-
ções cardiovasculares, respiratórias, renais e os obesos.
A experiência mostra que um trabalhador que vai trabalhar
em ambiente de temperatura elevada deve, primeiro, habitu-
ar-se ao calor (climatizar-se). Essa climatização consiste numa
adaptação do organismo a esse ambiente.