× práticas de gestão dos RH que se aplicam na relação destes
com as empresas;
× a adaptação da personalidade do trabalhador à cultura da
organização;
× a forma como se relaciona com a tecnologia;
× a forma como se integra no sistema de trabalho;
× a forma como se processa a supervisão do trabalho;
× as relações com colegas e clientes;
Com efeito, estes factores não agem apenas sobre o indivíduo
como trabalhador na sua actividade laboral, mas estabelece
relação com todo o sistema e seus componentes, com a com-
plexidade e o alcance que varia com cada contexto sócio-eco-
nómico específico.
Apesar da dificuldade para medirmos objectivamente estes
fenómeno sem se estabelecer causalidade directa, os riscos
psicossociais e os efeitos sobre a saúde geral e sobre a saúde
mental já não podem ser negados.
2.
Pela sua experiência, quais são os transtornos
mentais causados pelo trabalho que lhe surgem com
maior frequência?
Se considerarmos os valores referentes ao significado actual
de trabalho como oportunidade de auto-realização, de meio
para construção de identidade pessoal e fonte de interacção
e inserção social, percebemos facilmente que, decorrente dos
ritmos impostos da relação trabalho-homem, serão os qua-
dros de “ansiedade e stress” que estarão no topo da frequên-
cia das perturbações mentais seguindo-se-lhes as “perturba-
ções depressivas”.
.As reacções gerais ao stress, da ordem da fadiga emocional e
física, com síndromas de exaustão, de depressão, atitudes de
distanciamento mental face ao trabalho, bem como a perda de
eficácia profissional, diminuição dos sentimentos de auto-efi-
cácia no trabalho, têm permitido que o “burnout” – inicialmen-
te identificada em profissionais de saúde (médicos e enfer-
meiros), seja conceptualizado como sendo passível de ocorrer
em todas as profissões. Não nos podemos esquecer que a falta
de trabalho - o desemprego, é a outra face dessa mesma moeda.
3.
Vários estudos têm demonstrado que alguns me-
tais pesados e solventes podem ter uma acção tóxica
directa sobre o sistema nervoso, provocando distúr-
bios mentais e alterações do comportamento. Como
se manifestam no trabalhador em termos de sintoma-
tologia?
O adjectivo “pesado” é literal, visto que esses metais são mais
densos do que os demais, o que se explica pela ligação mais
“apertada” entre os seus átomos. Para ter uma ideia, 1cm3 de
qualquer metal “leve” (como o magnésio, por exemplo), pesa
cerca de 1,7 g, enquanto que a mesma quantidade de qualquer
metal pesado, pesa pelo menos 6 g. Todos eles são sólidos no
seu estado puro (excepto o mercúrio que é líquido) e caracte-
rizam-se também pelo brilho, dureza, boa condutividade eléc-
trica e calor e elevadas temperaturas de fusão. No entanto, as
suas principais propriedades – ou traço comum, são:
1) níveis elevados de reactividade;
2) bio-acumulação.
Devido ao primeiro, são capazes de diversas reacções quími-
cas não metabolizáveis e por consequência raramente existem
isolados (em estado puro) na natureza e devido ao segundo
traço (bio-acumulação), acumulam-se na cadeia alimentar
quando em contacto com o organismo.
Alguns destes metais existem no organismo em pequenas
quantidades. Em quantidades tóxicas e devido à elevada mas-
sa que possuem, eles atraem para si elementos essenciais do
corpo, tais como enzimas e proteínas, impedindo-as de de-
sempenhar as suas funções o que pode conduzir à morte; tam-
bém ligam-se às paredes celulares impedindo a passagem de
nutrientes para as células.
A tríada mercúrio - chumbo - cádmio é a mais perigosa e mui-
to resumidamente dizemos que podem provocar lesões gra-
ves no organismo, tais como inflamações nas articulações dos
dedos e pulsos ou mesmo paralisação das mãos e do cérebro.
Além de interferir com os processos cognitivos pode levar à
depressão grave (mercúrio) ou lesar gravemente o fígado ou
rins e causar inflamações ao nível dos pulmões (cádmio), ou
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