magazine risco zero
De entre várias medidas promovidas para garantir as boas
condições de saúde e as práticas de segurança que são con-
tributos extremamente importantes para prolongar o tempo
de trabalho, destacamos uma sondagem de opinião realizada
pela EU-OSHA em 2012 que evidenciou que a grande maioria
dos cidadãos da União Europeia considera que a boa concep-
ção do local de trabalho beneficia todos os grupos etários, in-
cluindo os trabalhadores mais velhos, se introduzirem certas
mudanças tais como:
× Reconcepção ou rotação de funções;
× Breves intervalos e mais frequentes;
× Melhor organização do trabalho por turnos, por exemplo,
recorrendo a um sistema de turnos de rotação rápida (2-3 dias);
× Iluminação adequada e controlo do ruído;
× Boa concepção ergonómica do equipamento;
Concluindo, cabe ao empregador empreender uma abordagem
holística da gestão de SST e gerar soluções que visem a
prevenção e/ou a recuperação da saúde com vista a preservar
a funcionalidade de quem envelhece. Acreditamos que se
as empresas investirem na sensibilização e incentivo para a
criação de melhores oportunidades para um envelhecimento
activo será um passo decisivo para pensarmos num idoso mais
activo, participativo e integrado na sociedade.
Concentremo-nos por fim nas conclusões do RelatórioMundial
sobre Envelhecimento e Saúde divulgado pela OMS (Organiza-
ção Mundial de Saúde) no dia 30 de Setembro de 2015, véspera
do Dia Internacional do Idoso, que se comemora dia 1 de Outu-
bro, as quais devemos ver o envelhecimento da população com
um novo e renovado potencial, e, discutir de que forma é que
podemos programar políticas e modelos para aproveitar este
fenómeno ao máximo.
Convocamos, ainda uma vez, as palavras de Bosi (2004, p. 91)
sobre a figura do mais-velho sobre “Vozes na sanzala (Kahitu)”,
do escritor angolano Uanhenga Xitu (Agostinho André Men-
des de Carvalho), sabedor então de muitos ofícios que passa a
ser bastante respeitado entre os seus, como mestre conselheiro
e a quem “foi dado abranger uma vida inteira. Seu talento de
narrar lhe vem da experiência; sua lição, ele extraiu da própria
dor; sua dignidade é a de contá-la até o fim, semmedo”.
Para finalizar, pensem no vosso trabalhador mais velho, que
idade tem ele? Até que ponto estão a conferir-lhe um espaço
onde ele pode “encontrar ouvidos atentos, ressonância”
para toda a experiência profissional e o conhecimento
especializado que acumulou com a idade? Além de lhe dar
voz, estão a dar-lhe vez? Está a ter uma participação activa
na vida profissional e tem acesso à formação e à igualdade
de oportunidades para adquirir novos conhecimentos e
actualizar as suas competências profissionais?
Referências Bibliográficas:
× EU-OSHA. Locais de trabalho saudáveis para todas as idades. Promover uma
vida pro ssional sustentável - Guia da campanha
× BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Compa-
nhia das Letras, 2004
× FONSECA, MariaNazareth Soares. Velho eVelhice nas Literaturas Africanas de
Língua Portuguesa Contemporâneas. Ensaio
× ORGANIZAÇÃOMUNDIAL DA SAÚDE. Relatório Mundial sobre Envelheci-
mento e Saúde, 2015
Marie-Hélène Koehl Silva
Iniciou a sua atividade profissional como Consultora de Gestão de Carreiras
pela Transitar Lee Hecht Harrison com responsabilidades ao nível da gestão de
processos de transição de carreira, nomeadamente no domínio do outplacement
colectivo e individual.
Foi co-responsável dos projectos de outplacement colectivo nos downsizings de
uma multinacional do sector automóvel desde 2005 até 2010, tendo assumido a
supervisão e coordenação dos serviços prestados na região afetada.
Destaca a actuação ao nível da gestão e aconselhamento estratégico para
uma reconversão e reclassificação profissional dos candidatos, visando a
potencialização da reintegração profissional.
Em 2010 assume funções como Coordenadora de Formação na Conduril
Academy tendo como principais responsabilidades a coordenação técnico-
tedagógica de Planos de Formação, diagnósticos de necessidades de
qualificação, concepção e organização de ações de formação para o incremento
da qualificação dos ativos do Grupo Conduril emAngola.
Licenciada em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e
formadora acreditada pelo IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional).