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Conduril Academy
INSTITUCIONAL
ENVELHECER SAUDAVELMENTE
NO LOCAL DE TRABALHO
“O ancião não sonha quando rememora: desempenha uma
função para a qual está maduro, a religiosa função de unir o
começo e o fim, de tranquilizar as águas revoltas do presente
alargando suas margens [...]. O vínculo comoutra época, a cons-
ciência de ter suportado, compreendido muita coisa, traz para
o ancião alegria e uma ocasião de mostrar sua competência.
Sua vida ganha uma finalidade se encontrar ouvidos atentos,
ressonância.” - Bosi (2004, p. 22)
Como garantir uma vida profissional activa prolongada
e sustentável? Como é que uma empresa assegura um
envelhecimento saudável e uma vida profissional com maior
qualidade e bem-estar?
Objectivando responder às questões acima assinaladas, o
presente artigo, nessa perspectiva, propõe-se analisar o papel
do empregador face aos desafios do envelhecimento da mão-
de-obra e sondar o conceito do trabalhador/a “mais velho/a”
como actor social, que percebe a sua identidade, como também
o seu espaço e suas relações sociais.
Entenda-se o fundamento do envelhecimento como um
processo comum praticamente a todos os seres vivos que, no
seu transcorrer, provoca modificações de ordem somática e
psíquica que determinam alterações da relação do indivíduo
com o meio que o cerca.
A OMS recorda-nos, no último Relatório Mundial sobre
Envelhecimento e Saúde que, muitas das percepções e
suposições sobre pessoas mais velhas são baseadas em
estereótipos ultrapassados. O desafio actual é desenvolver
uma resposta ampla para o envelhecimento da população, a
longevidade activa e saudável, o convívio social e os modelos
de atenção à saúde do idoso.
Por exemplo, o paradigma do “velho” no povoHerero ouHimba
que vive no Sul de Angola é exibir com naturalidade os seus
sinais de velhice, não os impedindo de continuar a exercer as
tarefas definidas pela tradição ancestral.
Nessa cultura, “as rugas, os seios caídos, nas mulheres, os
cabelos brancos são atributos que determinam um lugar social
(…) e gozam do prestígio advindo da idade avançada” (Cit.
Medeiros in Fonseca). A velhice é acolhida com autenticidade
e não é percepcionada como degradação, pelo contrário, os
sinais de velhice devem ser venerados pois são o testemunho
de experiência e sabedoria.
Claro está que os trabalhadores idosos não são um grupo
homogéneo, nem as exigências do ambiente profissional são
todas iguais. Queremos dizer com isto que a perda de habili-
dades não está directamente relacionada com a idade crono-
lógica, mas sim com a capacidade de trabalho. Esta resulta do
equilíbrio entre o emprego e os recursos individuais; quando o
emprego e os recursos individuais se coadunam entre si, existe
uma boa capacidade de trabalho.