Magazine Risco Zero Nº12

/25 OBJECTIVOS 1. Apontar as principais consequências do consumo de álcool descritas na literatura. 2. Identificar as estratégias em cada nível de prevenção, no que respeita o consumo de álcool. 3. Descrever a realidade de um bairro em Luanda no que respeita ao consumo de álcool. METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo de natureza quantitativa, que teve por base o diagnóstico de saúde realizado no Sector C do Bairro do Imbondeiro em Luanda. A amostragem foi por acessibilidade e os dados foram recolhidos durante o estágio do Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enferma- gem de Saúde Comunitária no período compreendido entre 24 de Abril e 6 de Julho de 2017, através de questionários aplicados aos habitantes deste bairro. O instrumento aplicado tem por base diversas dimensões da saúde, sendo o consumo de álcool uma das estudadas. Através destes resultados os es- tudantes têm vindo a implementar, em parceria com outras entidades, medidas de prevenção e promoção da saúde espe- cíficas e direccionadas às necessidades de cada comunidade/ bairro estudado. Os sujeitos do estudo participaram de forma livre e esclare- cida, tendo sido garantidos os princípios éticos subjacentes à investigação(11), concretamente a confidencialidade dos da- dos e a sua utilização apenas no contexto da investigação e sua divulgação. Após o registo dos dados, procedeu-se à sua análise com recurso à estatística descritiva usando o software SPSS® versão 21. RESULTADOS De uma amostra de 1321 pessoas, habitantes no Bairro do Im- bondeiro, Luanda, na sua caracterização sociodemográfica, verificou-se que 46,02% eram do género masculino e 54,08% do género feminino, 42,62% correspondem a crianças, 15,14% adolescentes e 42,24% adultos. Quanto à esfera consumo de álcool, da população de adultos, verificou-se que 38,2%(n=213) consomem bebidas alcoólicas, dos adultos consumidores de álcool 52,11%(n=111) são do sexo masculino e 47,89%(102) são do sexo feminino (Figura 1). Das pessoas adultas 31,0% (n=173) consumem bebidas alcoólicas 1-2 vezes por semana e 1,6%(n=9) consomem bebidas alcoóli- cas mais de 4 vezes por semana (Figura 2). Das pessoas que consomem bebidas alcoólicas,15,96%(n=34) são estudantes, 2,82%(n=6) encontram-se reformados, 26,29%(n=56) encontram-se desempregados e 54,9%(n=117) das pessoas desenvolve uma actividade laboral. Especifican- do por sectores laborais, 35,68%(n=76) trabalham no sector primário, 18,31%(n=39) no sector secundário e 0,9%(n=2) no sector terciário (Figura 3). Quanto ao nível de escolaridade 1,88%(4) não frequentaram a escola e não sabem ler nemescrever, 3,76%(n=8) não frequenta- ram a escola, mas sabem ler e escrever. Cerca de 23,94%(n=51) frequentaram o primeiro ciclo escolar (1ª até à 6ª classe), 29,58%(n=63) frequentaram o segundo ciclo (até à 9ª classe), 36,62%(n=78) frequentaram o ensino médio e 4,23%(n=9) têm o ensino superior (Figura 4). Da população de adolescentes (faixa etária dos 12 aos 18 anos) 4,5%(n=9) consomem bebidas alcoólicas, sendo 88,9%(n=8) do sexo masculino e 11,1%(n=1) do sexo feminino. DISCUSSÃO Os resultados relativos ao consumo de álcool no bairro es- tudado revelam uma percentagem relativamente baixa de consumidores de bebidas alcoólicas, tanto em adultos como em adolescentes. Apesar desta amostra não ser representa- tiva da população de Luanda, estes dados contrastam com o estudo de Muteka, em 2012, referente ao consumo de álcool, que aponta que Angola está entre os maiores consumidores de álcool do Continente Africano, sendo que na província de Benguela cerca de 88% da população consome álcool ex- cessivamente e que o consumo entre jovens tem uma maior prevalência que nos adultos(5). Considera-se que os resulta- dos obtidos na comunidade do bairro do Imbondeiro podem estar relacionados com a diminuição de consumo de bebidas alcoólicas constatada pela OMS(1,9,10), mas também por se tratar dos habitantes apenas de um dos bairros de Luanda, que como já se mencionou, não são representativos do total da população desta província. Segundo os dados recolhidos, os consumidores são essencial- mente do género masculino, o que vai de encontro aos dados da OMS, pese embora não ser muito significativa a diferença entre géneros (uma diferença de apenas 4,22%), o que pode corroborar a ideia de que o consumo de álcool entre as mu- lheres está a aumentar(1). Embora o estatuto socioeconómico dos sujeitos não tenha sido avaliado em toda a sua globalidade, a literatura mencio- na que pessoas de estatutos económicos mais elevados con-

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