Magazine Risco Zero Nº12
magazine risco zero somem com maior frequência bebidas alcoólicas(1). Face aos resultados deste estudo acredita-se que o facto das pessoas desenvolverem uma actividade laboral ou terem desenvolvi- do os seus estudos (o que em princípio influencia positiva- mente o seu status social e a sua capacidade económica) tam- bém implica uma maior frequência de consumo, ainda que de forma moderada, isto porque a maior frequência de consumo, neste bairro, foi encontrada entre os habitantes trabalhadores do sector primário, com o nível médio de escolaridade, onde a maioria relata consumir álcool 1 a 2 vezes por semana. Apesar da percentagem de pessoas que consome bebidas al- coólicas de forma mais alarmante (4 ou mais vezes por sema- na) ser relativamente pequena merece atenção e intervenção adequada. Ressalta-se a existência de adolescentes a consumir álcool e de um número significativo de pessoas adultas a faze- rem consumo desta substância, ainda que esporadicamente, o que associado aos números preocupantes publicados recen- temente pela OMS, bem como às inúmeras consequências do consumo excessivo de álcool, espelha a importância das campanhas de prevenção já realizadas e da necessidade de as manter, de forma a que a diminuição do consumo de álcool, que se tem verificado nos últimos anos(1,9,10),continue a evo- luir de forma favorável. CONCLUSÃO A amostra deste estudo não é representativa da população, e portanto os resultados não são generalizáveis, no entanto os dados que emergem apontam para um consumo inferior ao estimado por outros estudos mas que continua a merecer a atenção quer dos decisores políticos, quer dos diversos secto- res que directa e indirectamente se relacionam com a saúde. Considerando que os dados não foram colhidos especifica- mente com o objectivo de conhecer o consumo de álcool nes- ta comunidade, acredita-se que é importante realizar estudos que aprofundem mais esta problemática em concreto, em amostras que sejam representativas da população, de modo a percebermos efectivamente a dimensão deste importante fenómeno na sociedade angolana e determinar estratégias mais específicas de actuação, nomeadamente no que res- peita à acção dos profissionais de saúde, em todos os níveis da prevenção. Embora alguns estudos apontem para que a principal bebida alcoólica consumida seja a cerveja, não se indagou neste estudo acerca do tipo de bebida consumida, pelo que em estudos posteriores também se sugere que esta variável seja considerada. Sugere-se, ainda, que em estudos posteriores, se procurem associações ou correlações entre o consumo de bebidas alcoólicas e fenómenos como a violên- cia, a depressão, o suicídio, o rendimento escolar, entre outros, sobretudo em comunidades em que se verifique não só uma elevada frequência de consumo, como também o consumo em grandes quantidades. No que concerne à produção e comercialização de bebidas alcoólicas, sugere-se dar maior atenção aos consumidores, nomeadamente à sua idade, bem como às campanhas de ma- rketing que promovem o consumo e que devem ser evitadas. Face aos riscos associados à actividade laboral concomitante com o consumo de bebidas alcoólicas, sugere-se a implemen- tação por parte das entidades empregadoras de “zero álcool” durante o trabalho, podendo ser feita a monitorização das taxas de alcoolemia dos trabalhadores de forma sistemática e imprevista, no sentido de prevenir acidentes e promover a saúde do trabalhador. Referências Bibliográficas: 1. World Health Organization. Global status report on alcohol and health. Geneva: WHO; 2014. 2. Bertoni LM, Santos RVR. Alcoolismo e meio rural. Rev GeoNordeste [revista na Internet] 2017 [consultado em 21 de maio de 2018]; (1): 98-113. Disponível em: https://seer.ufs.br/index.php/geonordeste/article/view/6122/pdf. 3. Acauan L, Donato M, Domingos AM. Alcoolismo: um novo desafio para o enfermeiro [Internet]. 2008 [consultado em 17 de maio de 2018]; 12 (3): 566-70. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ean/v12n3/v12n3a26.pdf. 4. Gaulio MAG. Alcoolismo: Problema de saúde publica [monografia on-line]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2015 [consultado em 21 de maio]. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/131215/000980006.pdf?sequence=1. 5. Muteka FT. Consumo de Álcool em Angola: estudo com militares e civis [dissertação de mestrado on-line]. Portugal: Instituto supe- rior de ciências da saúde – norte; 2012 [consultado em 17 de maio de 2018]. Disponível em: https://repositorio.cespu.pt/bitstream/hand- le/20.500.11816/254/Tese%20de%20Mestrado_Faustino%20Tchimbundo%20Muteka.pdf?sequence=1&isAllowed=y. 6. Organização Internacional do Trabalho. Problemas ligados ao álcool e a drogas no local de trabalho: uma evolução para a prevenção. Gene- bra: Organização Internacional do Trabalho; 2003. 7. Santos P. Prevenção do alcoolismo – a instrumentalidade do AUDIT em psicologia do aconselhamento [tese de mestrado on-line]. Coimbra: Universidade de Coimbra/Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação; 2012 [consultado em: 21 de maio de 2018]. Disponível em: https:// estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/25855/3/Tese-Paula%20Santos.pdf. 8. Malta DC, Mascarenhas MDM, Porto DL, Duarte EA, Sardinha LM, Barreto SM, Neto OLM. Prevalência do consumo de álcool e drogas entre adolescentes: análise dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar. Rev Bras Epidemiol [revista na Internet] 2011 [consultado em: 22 de maio de 2018], 14(1): 136-46. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v14s1/a14v14s1.pdf. 9. World Health Organization. World Health Statistics: Monitoring Health for the Sustainable Development Goals. Geneva: WHO; 2017. 10. World Health Organization. World Health Statistics: Monitoring Health for the Sustainable Development Goals. Geneva: WHO; 2018 11. Munhall PL. Ethical considerations in qualitative research. 4ª ed. Munhall PL, editor. Nursing research: a qualitative perspective. (Sudbury): Jones and Bartlett Publishers; 2007.
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