Magazine Risco Zero Nº12
magazine risco zero Foi um desafio passar do ramo petrolífero para as teleco- municações? Um grande desafio do qual me orgulho, para dizer a verdade. Após 10 anos no sector petrolífero, em 2015 recebi o con- vite para trabalhar na Unitel e no dia 1 de Abril do mesmo ano, ingressei nos quadros da maior família de Angola para o grande desafio proposto pela Direção Geral da Unitel de criar o então Departamento de Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho. Repare que tinha apenas 4 colaboradores para uma missão tão importante como a de criar uma Unitel mais segura e saudável, com a apresentação de um ambicioso plano es- tratégico para 2015/2016 que nos permitiu cumprir com os objectivos preconizados. Que dificuldades sentiram e como as ultrapassaram? Como deve imaginar não foi fácil incutir a cultura de segu- rança numa empresa angolana que até então desconhecia essa realidade. Entre 2015 e 2016, por meio dos programas de saúde e segurança no trabalho, foi possível reduzir o índi- ce de sinistralidade profissional em quase 40% e o índice de sinistralidade rodoviária em quase 50%. Apesar dos constrangimentos, estávamos imbuídos de um espírito de missão e seriamente comprometidos. Com disci- plina, trabalho árduo e muitos sacrifícios conseguimos cum- prir com as metas estabelecidas, o que levou ao reconhe- cimento dos Organismos Governamentais de Tutela, pela Comissão de Saúde e Segurança do Trabalho e a Inspecção Geral do Trabalho, do Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança Social. Conseguimos assim elevar o prestigiado nome da Unitel no mercado nacional como a pri- meira empresa desta dimensão fora do sector petrolífero a demonstrar exemplar comprometimento e excelência para com a saúde e segurança dos seus trabalhadores. Na verdade, esta sempre foi a nossa visão e objectivo: espe- lhar-nos no sector petrolífero e ser referência de boas prá- ticas em saúde e segurança no trabalho enquanto empresa angolana líder no sector das telecomunicações. Lembro-me que para muitas pessoas parecia impossível fazermos o levamento dos riscos da Unitel nas diferentes Delegações Regionais, criarmos procedimentos como as 6 Regras de Ouro de Segurança, publicar um Manual Corpo- rativo de Saúde e Segurança no Trabalho, criar e formar as equipas de emergência, realizar o primeiro simulacro de in- cêndio, a primeira Feira de Promoção da Saúde Unitel, criar condições para a realização dos exames médicos ocupacio- nais e a abertura do Posto de Saúde no mesmo ano (2015). Pensamos e fomos bastante ambiciosos e…conseguimos! Um sentimento de missão cumprida? Missão cumprida mas em constante trabalho, porque em 2016 não baixamos a guarda! Conseguimos realizar pela pri- meira vez os exames médicos ocupacionais (admissão, pe- riódicos, ocasionais e de demissão) e abrir o Posto de Saúde no Trabalho, dois marcos históricos de que muito nos orgu- lhamos. No mesmo ano, conseguimos entrar no sector petrolífero como prestador de serviços de telecomunicações, muito por conta do nosso compromisso e desempenho nesta área, pois como sabem, o sector de Oil & Gas é bastante exigente e não aceita, como prestador de serviços ou fornecedor, empresas que não estejam organizadas em matéria de saúde e segu- rança no trabalho. E a Unitel responde às exigências externas? Como se po- siciona a Unitel nesta área no panorama internacional? A Unitel conseguiu defender o seu lugar junto das melhores empresas a nível internacional. Desde então que somos tam- bém convidados em conferências nacionais e internacionais, dividindo ou liderando painéis com as grandes empresas internacionais, essencialmente petrolíferas, para partilhar a nossa experiência e excelente exemplo de boas práticas de saúde e segurança no trabalho. Isto representa seguramen- te o mais alto reconhecimento do nosso desempenho nesta área, estando a Unitel à altura de qualquer empresa interna- cional, aumentando desta forma os níveis de competitivida- de no mercado nacional e internacional. Ao olhar para o percurso até agora percorrido, considera que a cultura de segurança e saúde no trabalho já faz par- te do dia-dia dos trabalhadores da Unitel? Acredito que sim. Apesar das dificuldades, desde o primeiro dia de trabalho sabíamos que não seria fácil criar uma cul- tura de segurança e saúde numa empresa que já existia há mais de uma década, com a dimensão e dispersão geográfica da Unitel. Mas estávamos confiantes e positivos que conse- guiríamos. Sempre contámos com os apoios internos neces- sários, quer seja da Direcção Geral, na pessoa do nosso CEO,
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