Página 9 - magazine RISCO ZERO n/

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Como o Estado poderia comprometer-se mais?
O compromisso do Estado é total. Porém, torna-se necessário
o delineamento de estratégias de intervenção eficazes na infor-
mação e divulgação da SHST, que naturalmente necessitam de
tempo para se tornarem uma realidade.
É necessário que haja mais debates e informação pública so-
bre o que se passa à prevenção das sinistralidades e doenças
provocadas por actividades profissionais em Angola. Como
alcançar esta meta?
Indo ao encontro dessa necessidade, o CSST tem já projectada a
realização de vários seminários sobre os diversos sub-temas da
SHST em todo o território, sem excepções.
Como se sabe, há uma enorme escassez de quadros qualifica-
dos na área em Angola. Qual pode ser a solução?
A solução óbvia é a formação. OCSST (instutuição do MAPTSS)
em parceria com o CEDUMED (instituição do Ministério do En-
sino Superior/ Universidade Agostinho Neto) irá proceder em
breve ao início de cursos regulares de pós-graduação e de mes-
trado na área da SHST.
Porquê que o país precisa de uma cultura corporativa ango-
lana que invista na segurança, higiene e saúde no trabalho?
Conforme já disse, a SHST não é um custo antes se constitui
como um investimento. Nesta perspectiva, quando as entidades
empregadoras se encontram sensibilizadas, todos saem a ganhar
na medida em que uma cultura de bem-estar e estabilidade la-
boral se instala beneficiando a todos, sejam os empregadores,
sejam os trabalhadores.
Quem deve liderar este movimento?
Tanto as entidades empregadoras como os próprios trabalhado-
res deverão estar conscientes dos seus direitos mas também dos
seus deveres. Por conseguinte, a mútua responsabilização deve-
rá dar origem a várias contribuições que promovam um debate
profícuo que se deseja prolífero na resolução das questões levan-
tadas nos diferentes contextos laborais. Por outro lado, o CSST
deverá ser a entidade referência de regulamentação nacional.
Qual é o seu sentimento em relação ao futuro da segurança,
higiene e saúde no trabalho em Angola?
O caminho a percorrer nesta área não será fácil na medida em
que o actual cenário laboral angolano não é o mais desejável,
comparativamente com a comunidade internacional. A escassez
de recursos humanos qualificados é um dos principais factores
para que tal aconteça. Todavia, o esforço do MAPTSS em inver-
ter o sentido dos acontecimentos tem já frutos, de que são refle-
xo o CSST e as suas intervenções junto da comunidade angola-
na, que cada vez mais se sensibiliza e solicita estas intervenções.
Sob a égide da vontade de mudar comportamentos elevando a
qualidade de vida dos nossos trabalhadores, creio que caminha-
remos inquestionavelmente para uma equiparação com outros
países.
× Directora do Centro de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério
da Administração Pública Trabalho e Segurança Social;
× Licenciada em enfermagem, pela Escola Superior de Enfermagem de
Coimbra;
× Pós-Graduada em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento
organizacional, pelo Instituto Superior Miguel Torga – Coimbra;
× Mestrada em Segurança no Trabalho, pelo Instituto Superior Miguel
Torga – Coimbra;
× Formadora em Segurança e Saúde no Trabalho na Escola Nacional de
Administração Pública – ENAD.
Dra. Isabel Cardoso